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Holístico

altO objetivo de tratar de assuntos relativos à espiritualidade no tópico Holístico é tentar mostrar aos amigos interessados em serem “gnósticos” a encontrar alguns caminhos para tal, que, como verão no texto a seguir, terão que trilhá-los individualmente.

O texto abaixo transcrito, baseado em evangelhos apócrifos, não aceitos pelas Igrejas cristãs e considerados hereges por estas, foi extraído do livro “O outro Jesus segundo os evangelhos apócrifos” do autor Antonio Piñero, Editora Paulus, edição de 2002, páginas 160, 174 e 175.

A “gnose”, numa definição geral, é uma experiência religiosa baseada numa sabedoria revelada. É um conhecimento não só intelectual, mas total, no sentido de que a contemplação do objeto conhecido permite ao contemplador ser uno com ele. O objeto desse conhecimento é Deus e o que dele emana: as religiões supracelestes onde se encontram a divindade e as entidades que a contemplam, a criação do universo, do ser, humano e o sentido íntimo de todo o processo. Entender esse conjunto é alcançar a verdade. Conhecê-lo significa ser a verdade e atuar nela e, em última análise, significa a salvação.”

A vida do gnóstico consistirá em se aprofundar nessa sabedoria, gnose, que veio trazer o Salvador. O Salvador é a luz; conhecê-lo bem é acender à luz, que supera qualquer doutrina anterior que o gnóstico possa reconhecer. Porém a ela deve-se chegar individualmente, sem se apoiar em ninguém: o outro Jesus não fala de comunidade nem de igreja. Seu seguidor é um solitário que se salva sozinho ao aceitar a mensagem. Também não existe interesse especial em “evangelizar” ou pregar. Aquele que tem em seu interior a centelha buscará por si mesmo que lhe seja dada a iluminação da gnose. Os que são incapazes de conhecê-la manifestarão sua hostilidade; mas não importa. Uma vez obtido o conhecimento, o desejo do gnóstico estará concentrado em livrar-se o quanto antes da vestimenta material, na verdade, um cadáver do qual se de prescindir, e conseguir que sua parte superior, o espírito, retorne ao Pleroma para ali gozar da quietude, descanso e felicidade eternos. Na terminologia do Jesus que pregava na Palestina, o Pleroma (onde há o descanso) é o “Reino do Pai”. 

“Quando o homem aceita essa realidade dentro de seu coração, já vive nesse Reino. Não precisa esperar uma futura realização num mundo vindouro. A partir do momento que aceita a mensagem do Salvador, já está ressuscitado de fato, e a matéria não afeta em seu íntimo, somente por fora: o mundo, os bens, a vestimenta, o alimento, o casamento, tudo lhe é, no mínimo, indiferente, se não ruim. Daí que o gnóstico leve normalmente uma vida ascética. Mas a ascese também não é obrigatória; inclusive se em algum momento o gnóstico fizer as obras da carne, estas, como exteriores que são e pertencentes ao mundo da matéria, não afetarão seu espírito: “Quem conhece verdade, é livre, e o livre não peca”. Para o gnóstico tampouco interessam os sacrifícios ou práticas externas da religião, pois a gnose é, antes de tudo, uma experiência interior. A plenitude interna do gnóstico se manifesta no externo pelo amor e pelo perdão.”

A idéia é que a evolução espiritual, ou Salvação, por mais que possamos precisar dos outros como orientadores, só a obteremos sozinhos. Por isto valorizo ainda mais as palavras que costumava dizer aos meus alunos em sala de aula, que só vinham a entender o meu recado tempos depois: “SE VIRE”. Assim, desejo a todos boas reflexões e boa sorte.